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Um dos maiores cineastas do país, Orlando Senna morre aos 86 anos
Ele também foi um articulador de políticas culturais e diretor da EBC
Radioagência Nacional - Por Gabriel Corrêa
Publicado em 10/06/2026 14:24
Vocall News
© Evaldo Macedo/Divulgação

O Brasil perdeu um dos maiores cineastas brasileiros. Orlando Senna, que formou gerações de profissionais, faleceu aos 86 anos, nessa terça-feira (9), após ser internado com um quadro de broncopneumonia.

Além de escrever os roteiros de filmes como O Rei da Noite e Ópera do Malandro, o cineasta baiano dirigiu, ao lado de Jorge Bodanzky, Iracema, uma Transa Amazônica. O filme foi eleito pela Associação de Críticos de Cinema (Abraccine) como um dos 100 mais importantes da história do país.

O longa dos anos 1970 desafiou não apenas a censura, mas também as fronteiras entre ficção e documentário, para expor pela primeira vez ao mundo realidades sociais e ambientais da floresta amazônica.

Segundo o cineasta Fernando Meirelles, "Iracema" foi o filme que fez com que ele, diretor “Cidade de Deus”,  desistisse de ser arquiteto para fazer cinema.

A morte de Orlando Senna foi lamentada por diversos artistas, como Bodanzky e a atriz Dira Paes. O ator Antônio Pitanga esteve em uma das últimas homenagens recebidas pelo diretor, no mês passado, na Caixa Cultural Rio de Janeiro.

"Todas as homenagens a você, Orlando, são poucas. Eu tive o prazer de ser dirigido por você no teatro. Eu acho que esse momento, pra mim, de homenagear, de rever, de revisitar a história do Brasil passa por você, Orlando".

TV Brasil e EICTV

Além da obra nas telas, Senna participou da articulação de projetos "Revelando os Brasis" e "DOC TV". Também foi diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação e participou da implantação da TV Brasil, além de ter fundado, ao lado de Gabriel Garcia Marquez, a Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV), em Cuba.

Senna sempre teve um posicionamento ativo na promoção do cinema brasileiro e latino-americano, como mostra uma entrevista da época em que ele foi Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, na gestão Gilberto Gil.

"Nós acreditamos, como obrigação do Estado, do governo, semear sem parar. Ou seja, não temos nem a necessidade nem o poder de ver se as sementes são boas ou ruins. O que a gente tem é de colocar a semente no chão. Alguma coisa nascerá daí. O joio e o trigo a gente só separa depois da semeadura".

A despedida acontece na tarde desta quinta-feira (11), no Crematório da Penitência, no Rio de Janeiro.

 

Fonte: Radioagência Nacional
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Radioagência Nacional.
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